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Empreender e Maternar

A minha trajetória com o empreender começou com ideias criativas que surgiam aqui dentro.

Ariana que sou, já trabalhei em diversos lugares e seguimentos, e sempre tive uma voz interna que estava a confabular sobre negócios criativos que eu poderia ter, porém, que durante muito tempo não teve força para deixar de ser uma voz interna e se tornar um plano concreto.


O ponto crucial para essa mudança, foram os últimos meses da minha gestação, onde eu parei de trabalhar e vivi o tão chamado “ócio criativo”. O tempo do não-fazer começou a suscitar em mim questionamentos de como seria o meu servir no mundo após a maternidade e eu sabia que não queria mais ocupar as mesmas funções, e tão pouco deixar meus planos no campo das ideias.


Assim, com o parto do meu filho (Noah), remexeu um pulsar criativo muito grande aqui dentro. Quando a minha gestação física se findou, minha gestação criativa se iniciou. Enquanto nutria meu filho, nutria minha cabeça e nutria meus projetos. Me lembro de estudar e fazer mil cursos com Noah no peito ou no carrinho sendo balançado. Me lembro de passar noites e noites em claro planejando e sonhando com o meu novo filho que viria ao mundo. E após quase um ano, a Mama Apotecário nasceu.


Após concretizar esse feito me veio o meu 2o grande desafio dessa jornada empreendedora: “Como conciliar e estar inteira nos meus dois trabalhos?”


Sim, porque, sem me dar conta, eu já estava há um ano e meio em um trabalho que tomava 24/7 no meu tempo: a maternidade. E quando comecei a empreender e me faltou tempo, caiu a ficha do quão potente e complexo é ser mãe. Por muito tempo eu só conseguia pensar, até com um tom de indignação: “nós somos as trabalhadoras mais importantes do mundo e ninguém reconhece nossa função como trabalho!”.

Somos ensinadas a vida inteira que ser mãe é um ato de amor. Não que não seja, mas reduzir o maternar a amar, é desqualificar todo o papel das mães na sociedade. Afinal, sem mães não há crianças, não há o trabalho do cuidado, não há mão de obra, não há futuro. Sem as mães não há humanidade.


Nessa estrada dupla, me vi perdida por muitas vezes por ter que conciliar minhas duas carreiras: a infindável maternidade & o meu empreendimento. Apesar disso, por muito mais vezes, me senti orgulhosa de mim mesma, pois levar uma maternidade solo e ainda sim iniciar um negócio do zero (em plena pandemia rs) foi um passo de muita coragem em minha jornada.


Pois empreender e maternar é aproveitar ao máximo as horas (ou as vezes, minutos) de um cochilo. É viver uma rotina que começa de manhã e termina de madrugada. É ter que aceitar que você não vai estar 100% presente em nenhuma das funções. É fazer um pouquinho por dia e muitas vezes se culpar. É também ficar feliz por poder acompanhar cada passo do seu filho de perto. E poder ter a liberdade de trabalhar e dar afeto. É poder colocar no mundo um pedacinho de você. E mostrar para o SEU mundo suas realizações.


Empreender e ser mãe é um caminho difícil e de muita resiliência, mas que eu agradeço todos os dias por ter escolhido.





Texto: Ana Clara Joia | Fundadora da Mama Apotecário

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